Qual a melhor procedência dos bons vinhos?
Em se tratando de vinhos, tanto a região de Bordeaux, quanto a Bourgogne e o Novo Mundo - e também inúmeras regiões de Portugal, Espanha, Itália e da própria França e outros países - produzem ótimos vinhos desde há muito tempo. De fato, escolher entre Bordeaux, Bourgogne e Novo Mundo (Austrália, Chile, Argentina, Brasil) é totalmente uma questão de gosto e preferência pessoal, além de ocasião e harmonização com a comida, obviamente!
Os grandes vinhos de Bordeaux são elegantes, aristocráticos e ‘classudos’, mas bem mais encorpados e potentes do que os tintos da Bourgogne, que são mais marcados pela delicadeza, finesse e complexidade de aromas.
Ao mesmo tempo, falar em vinhos do Novo Mundo é muito genérico. Existem muitos estilos diferentes de vinhos no Novo Mundo, alguns dos quais inclusive se aproximam dos Bordeaux (mas quase nenhum dos Bourgognes, que são um tanto “únicos”). Normalmente, o que se entende pelo “típico estilo Novo Mundo” são vinhos encorpados e concentrados, exuberantes, cheios de fruta e com envelhecimento em carvalho, em um estilo expansivo e intenso, com menos acidez e mais doçura do que os vinhos tradicionais europeus. Enfim, é sempre uma questão de gosto pessoal, ocasião e acompanhamento, pois são estilos diferentes. No entanto, um dos grandes charmes do mundo do vinho é justamente esta enorme variedade de estilos, procedência e tipos de vinho. É claro que, dentro de certo estilo, e mesmo entre estilos, há diferentes níveis de qualidade. Mas entre regiões tão consagradas, é difícil afirmar categoricamente que uma determinada região produz vinhos melhores do que a outra. Podemos comparar vinhos específicos e dizer qual o preferido para uma determinada ocasião ou segundo nosso gosto pessoal... Mas daí a dizer que Bourgogne é melhor que Bordeaux, ou vice-versa, ou que o Novo Mundo é melhor ou pior que ambos, é fazer uma perigosa e difícil generalização. Por sorte existem tantos estilos e procedências para apreciarmos, sem ser preciso definir qual é o melhor. Todos podem ser muito bons, dependendo do produtor e do vinho...
Em minha recente viagem à Europa, por exemplo, onde estive visitando regiões vinícolas na Itália e na França durante o mês de outubro’2008, descobri em Montalcino (na Toscana, ao sul de Siena), vários “Brunelo de Montalcino” de outros produtores tão bons quanto o mais famoso (e caro!) deles - Biondi Santi.
Um desses bons exemplos é o Brunelo de Montalcino “VAL DI SUGA - ANGELINI”, elaborado por TENIMENTI ANGELINI S.p.A., do qual trouxe uma garrafa da sua ótima safra de 1999, além de outros lá degustados. Do mesmo modo ocorreu no sul da Bourgogne, em torno da cidade de Macôn, onde são produzidos os famosos brancos “maconnais”, dos quais também degustei vinhos maravilhosos de produtores pouco conhecidos entre nós.
(Nota: O “Val di Suga - Angelini” que eu trouxe de Montalcino, foi degustado com meu amigo Ronaldo Grapíglia (GG do Novotel Manaus), no “Caverna Bugre”, restaurante dos amigos Miguel e Eduardo Politshuk - devidamente harmonizado com o delicioso e famoso “Filé Alpino”, o prato carro-chefe da casa - existente desde 1950 no mesmo endereço paulistano).
Enfim, como citado anteriormente, por sorte existem tantos estilos e procedências para apreciarmos, sem ser preciso definir qual é o melhor. Todos podem ser muito bons, dependendo do produtor e do vinho...
Por isso é que precisamos aprender a apreciar vinhos e não rótulos, deixando de lado o preconceito de que apenas os excessivamente caros são os melhores!
Bons goles!


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