A uva branca Torrontés!
Dia desses fiz uma matéria sobre vinhos brancos, publicada neste meu website e no Portal www.amazonview.com.br (da revista “AmazonView”), no qual tenho uma página denominada “Mundo dos Vinhos”, onde escrevo sobre a bebida no começo de cada quinzena. Na aludida matéria, intitulada “O vinho branco de todas as estações do ano!”, procurei incentivar aqueles que ainda relutam em apreciar adequadamente esse tipo de vinho, os quais, a exemplo dos bons Espumantes, são ideais para o clima da nossa região e para o restante do território brasileiro durante o verão. Tem muita gente que ainda acha que apenas os tintos são vinhos realmente ideais para se beber. Ledo engano... Quem não aprecia vinhos brancos não conhece nada sobre essa medieval e saudável bebida!Na referida matéria, voltada mais para os bons vinhos brancos alemães, citei também aqueles produzidos na Serra Gaúcha (Vale dos Vinhedos), principalmente os nossos excelentes Espumantes. Um dos leitores dessa minha página, aproveitando a dica, pediu que eu falasse sobre a uva Torrontés, ainda bastante desconhecida entre nós, mas que produz vinhos brancos charmosos, frutados e florais em terras argentinas.
Pois bem, vamos falar e conhecer um pouco dessa casta que, ao contrário do que muitos afirmam, não é originária da Galícia (Espanha), mas sim resultado do cruzamento da casta “Criolla Chica” com a “Moscatel de Alejandria”, sendo, portanto, uma uva autóctone, ou seja, originária da Argentina.
O adjetivo "terrantês", em desuso no português atual, significa "originário de certa terra ou povoado". Por exemplo: Queijo terrantês, vinho terrantês, jarro terrantês... Na Península Ibérica essa palavra denomina também uma variedade de uva branca, tendo sido adotadas diversas grafias para seu nome, conforme o dialeto local. Na Galícia, por exemplo, essa casta tem presença em Ribeiro de Avia, onde ela é a Tarrantés.
Denomina-se Terrantês no Condado de Salvaterra e tem o nome reconhecido internacionalmente de Torrantés em Montealegre.
Portugal adotou a grafia Terrantez e com esse nome ela aparece no nordeste do país (em Trás-os-Montes), na Região Central (no Ribatejo) e no arquipélago dos Açores, particularmente na Ilha da Graciosa, onde origina um dos vinhos brancos da Cooperativa de Santa Cruz. Consta que, no passado, ela tenha sido cultivada na Ilha da Madeira. Trata-se de uma uva branca transparente, de bagos pequenos com casca fina e delicada. Dela se elabora um vinho seco, claro, muito aromático, frutado, com graduação alcoólica entre 11 e 12,5 graus e que se pode conservar por algum tempo.
O renome atual da Torrontés vem de sua surpreendente aclimatação nas províncias argentinas de Salta (Valle Cafayate) e La Rioja, (Valle de Chilecito) em altitudes acima de 1000 metros, aonde chegou trazida da Espanha, embora restando provado que se trata de uma uva originaria da própria Argentina, consoante recente pesquisa de DNA desenvolvida pela University of Califórnia-Davis, que definiu a sua origem exata.
A Torrontés é a variedade de uva branca mais distintiva da Argentina. Produz um vinho branco frutado e elegante, com refrescante acidez. Um grande atrativo para os jovens apreciadores de vinho branco, justamente pelo seu caráter frutado e floral.
O vinho da Torrontés é hoje considerado o mais típico entre os brancos argentinos. Que o digam a Bodega La Rosa, de Michel Torino, a Bodega Etchart, de Arnaldo Etchart e Pernod Ricard, e a Bodega Família Zuccardi, onde essa casta é também usada no vinho branco doce “Santa Júlia Torrontés Tardio”.
Eu, particularmente, gosto muito dos vinhos elaborados com essa casta, principalmente o “Torrontés Etchart Privado“, da Bodega Etchart e o “Colomé Estate Torrontés”, da Bodega Finca Colomé... São ótimos e de preços bem acessíveis!... Bons goles!


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