O Vinho Branco de todas as estações do ano!
Felizmente, o consumidor tem redescoberto o vinho branco e, principalmente, tem se dedicado mais à cultura da enogastronomia. E o que é enogastronomia? É a arte de harmonizar a gastronomia com o vinho. Por isso, a ausência do vinho branco na mesa é um completo desastre. Ele é versátil e acompanha pratos maravilhosos que o vinho tinto não seria capaz de compartilhar. Além disso, existem vinhos brancos potentes e profundos como os tintos.
No Brasil, por exemplo, já temos bons vinhos brancos, especialmente os Espumantes produzidos na região da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Assim como o Brasil, a Argentina e o Chile também produzem excelentes vinhos brancos com as uvas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, entre outras. Outro bom exemplo de vinhos brancos do “Novo Mundo” é os Estados Unidos. Eles se especializaram em fazer da uva Chardonnay uma marca... O Chardonnay amadeirado virou febre no país e por lá existe até o jargão “give me a glass of chard”.
A matéria, entretanto, é sobre os vinhos brancos da Alemanha... Lar da uva Riesling, considerada por muitos especialistas a mais nobre das cepas brancas, a Alemanha é uma das grandes regiões vinícolas do mundo, com vasta gama de estilos de vinho, do raro, doce e sensacional Trockenbeerenauslese (TBA) ao adstringente Kabinett. A maioria é consumida localmente, já que poucas vinícolas se destacam fora do país.
Um pouco de história: Os romanos levaram a viticultura organizada a essa região no norte da Europa e, no início da Idade Média, a Igreja adquiriu e desenvolveu vinhedos enormes. Diz a lenda que no século VIII o imperador Carlos Magno, posicionado na margem oposta a Rheingau, observou onde a neve derretia primeiro e ordenou que as vinhas ali fossem plantadas.
No fim da Idade Média havia muitas propriedades aristocráticas em Rheingau e mais ao sul, algumas ainda pertencentes às mesmas famílias. Calcula-se que no fim do séc. XVI a área cultivada com vinhas seria 03 vezes maior do que a atual, devido a conflitos que devastaram grandes regiões (como a Guerra dos Trinta Anos, 1618/48) e substituições por outros plantios em tempos difíceis.
Mas a atividade vinícola se recuperou, e ao fim do séc. XIX os melhores vinhos de Rheingau alcançaram preços tão altos quanto os premiers crus de Bordeaux, França. A qualidade, porém, despencou nos anos 60 e 70 com a preferência por safras volumosas, e só na última década as melhores vinícolas buscaram consistentemente recuperar a reputação do vinho alemão.
A atividade vinícola hoje: A Alemanha não é um grande participante no mercado internacional, com apenas 100.000ha em produção, 09 vezes menos do que a França ou a Itália. A imagem do vinho alemão ficou prejudicada devido à grande quantidade de branco adocicado medíocre exportado nas últimas décadas. Por isso muitos consumidores associam “vinho alemão” à pior qualidade que o país oferece. Esse problema foi exacerbado pela estrutura da indústria, baseada em propriedades muito pequenas e em grandes cooperativas; as primeiras - várias de padrão mundial - produzem pouca quantidade, e as segundas raramente estão centradas na qualidade e não colaboram para melhorar a imagem dos vinhos no exterior.
As leis vinícolas e as normas arcaicas de rotulação também atrapalham a vida do consumidor. Milhares de vinhedos têm o direito de se identificar no rótulo e, além das cepas conhecidas, há várias cruzas. Entretanto, se a variedade de uvas e estilos dificulta o marketing, poucos países oferecem tamanha diversidade.
Cepas e Estilos de Vinhos: A Riesling é a principal cepa do sudoeste da Alemanha, em especial nas regiões dos rios Mosel e Reno. O longo período de desenvolvimento e a alta incidência de botrítis (a podridão nobre - fungo “Botritis Cinerea”) fazem com que esses vinhedos produzam alguns dos vinhos doces mais sensacionais do mundo, a exemplo dos grandes “Sauternes” da França e dos “Tokaji Aszú” da Hungria. Os melhores são Rieslings engarrafados na vinícola, que variam do muito seco e metálico ao doce e adstringente, em geral com qualidade superior ao preço.
Detalhe para quem for visitar a região: A vista da área vinícola de Mosel-Saar-Ruwer, de qualquer colina de vinhedos (que são plantados nas encostas íngremes das margens do rio), é simplesmente encantadora!
No sul, sobretudo em Baden, as Pinot reinam supremas... As Weissburgunder (Pinot Blanc) são encontradas em todas as áreas vinícolas do país, e a Spatburgunder (Pinot Noir) nas regiões mais ao norte, como Ahr, com resultados cada vez melhores. A Silvaner (outra variedade) não é muito apreciada, mas em Franken atinge ótimo nível.
Os vinhos muitos secos são produzidos com facilidade no sul, como em Pfalz e Baden. Contudo, o clima frio mais ao norte pode torná-los austeros demais para o gosto da maioria devido à alta acidez natural das uvas; por isso muitas vezes são equilibrados com açúcar residual - que os torna frutados e refrescantes.
O barril de carvalho participa na vinificação em tinto, mas em geral os brancos não são amadeirados e podem refletir o solo e as condições microclimáticas de que se originam muito melhor do que os suavizados no caro carvalho francês, destacando seu sabor puro e, com freqüência, vigor mineral.
Classificação Vinícola Alemã
Os vinhos alemães são classificados segundo o amadurecimento das uvas na vindima (colheita), obedecendo ao seguinte critério:
> Qualitatswein mit Pradikat (QmP): Literalmente “vinho de qualidade com características especiais”, é sua classificação mais alta. Para obter esse status as uvas devem atingir um nível de amadurecimento mínimo, entre Kabinett (o mais baixo nível de açúcar) e Trockenbeerenauslese (TBA, o mais alto). Os valores determinados variam para cada região e cepa. A chaptalização (adição de açúcar durante a fermentação para aumentar o nível de álcool) não é permitida nesses vinhos.
> Kabinett: Exceto se rotulado como trocken ou halbtrocken, esse vinho será meio-seco.
> Spatlese: Vinho de colheita tardia, normalmente de estilo médio a meio-doce.
> Auslese: Vinho médio a doce no qual algumas uvas podem ter sido afetadas por botritis (a podridão nobre).
> Beerenauslese (BA): Vinho doce no qual muitas uvas foram afetadas por botritis.
> Eiswein: Vinho intensamente doce elaborado de uvas que congelaram naturalmente na vinha; tendem a ter sabor rico e muito puro.
> Trockenbeerenauslese (TBA): Vinho intensamente doce elaborado apenas de uvas afetadas por botritis. Não confundir com “trocken”, que significa “seco”.
> Qualitatswein bestimmter Anbaugebiet (QbA): Segundo nível de classificação, para vinhos de qualidade elaborados em uma região designada. A chaptalização é permitida.
> Londwein: Equivalente ao “vin de pays” francês, “um vinho do país”, pode proceder de qualquer uma das 17 áreas designadas.
> Deutsche Tafelwein: Categoria para vinhos de mesa elaborados exclusivamente na Alemanha.
Como ler um rótulo de Vinho Alemão: Ao se deparar com um vinho alemão de produtor desconhecido, eis algumas dicas que o(a) ajudarão a desvendar o estilo e a qualidade em potencial:
a) Procure a uva; os melhores são Riesling QmP, geralmente de meio-secos (Kabinett) e extremamente doces (Trokenbeerenauslese), exceto se constar as palavras “troken” ou “halbtroken”. Evite vinhos QbA a menos que confie no produtor!
b) O teor alcoólico ajuda a confirmar o estilo: com menos de 12% (especialmente menos de 10,5%), espere um vinho médio a doce. Conhecer os estilos das principais regiões alemãs também é útil: os vinhos tendem a ficar mais cheios e secos do norte para o sul. O preço é bom indicador. Há verdadeiras bagatelas, mas espere preços mais altos dos melhores produtores.
Glossário do Vinho Alemão:
Bereich: Distrito dentro de uma das regiões vinícolas aqui citadas. Se estiver no rótulo tenha cautela, pois a qualidade pode ser baixa.
Classic: Vinho razoavelmente seco e elaborado com uma cepa tradicional, como Riesling, Silvaner ou Rivaner. O termo foi introduzido como tentativa de facilitar o rótulo de vinhos alemães.
Einzellage: Vinho de um único vinhedo.
Grosslage: Vinho de um grupo de vinhedos.
Halbtroken: Vinho “meio-seco” ou meio-doce.
Totling: Vinho rosé.
Rotwein: Vinho tinto.
Sekt: Vinho espumante (como é chamado o Espumante alemão).
Selection: relativo ao Classic, denota um vinho premium razoavelmente seco, produzido em quantidades limitadas. Termo ainda não totalmente estabelecido.
Trocken: Vinho seco.
Ursprungslage: Outro termo novo, criado para substituir Grosslage. O vinho deve ser de área designada e também estilo específico, empregando cepas (uvas) registradas.
Weingut: Propriedade vinícola.
Weisswein: Vinho branco.
Os vinhos brancos alemães dos produtores mais respeitados e recomendados:
01. Weingut Emrich-Schonleber Monzinger Fruhlingsplatzchen Riesling Eiswein.
02. Weingut Keller Dalsheimer Hubacker Riesling Auslese.
03. Weingut Muller-Catoir Mussbacher Eselshaut Rieslaner Auslese.
04. Weingut Robert Weil Kiedricher Grafenberg Riesling Auslese.
05. Weingut St Urbans-Hof Ockfener Bockstein Riesling Auslese.
06. Weingut Dr Burklin-Wolf Forster Ungeheuer Riesling Erstes Gewachs.
07. Weingut Franz Kunstler Hochheimer Kirchenstuck Riesling Spatlese.
08. Weingut Freiherr Heyl zu Hermsheim Niersteiner Brudersberg Riesling Trocken.
09. Weingut Hermann Donnhoff Oberhauser Brucke Riesling Spatlese.
10. Weingut Dr Loosen Wehlener Sonnenuhr Riesling Kabinett.
11. Weingut Georg Breuer Rudesheim Estate Riesling Trocken.
12. Weingut Okonomierat Rebholz Chardonnay Spatlese Trocken.


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