Sunday, August 20, 2006

A uva branca Torrontés!

O adjetivo "terrantês", em desuso no português atual, significa "originário de certa terra ou povoado". Por exemplo: Queijo terrantês, vinho terrantês, jarro terrantês... Na Península Ibérica essa palavra denomina também uma variedade de uva branca, tendo sido adotadas diversas grafias para seu nome, conforme o dialeto local. Na Galícia, por exemplo, essa casta tem presença em Ribeiro de Avia, onde ela é a Tarrantés. Denomina-se Terrantês no Condado de Salvaterra e tem o nome reconhecido internacionalmente de Torrantés em Montealegre.
Portugal adotou a grafia Terrantez e com esse nome ela aparece no nordeste do país (em Trás-os-Montes), na Região Central (no Ribatejo) e no arquipélago dos Açores, particularmente na Ilha da Graciosa, onde origina um dos vinhos brancos da Cooperativa de Santa Cruz. Consta que, no passado, ela tenha sido cultivada na Ilha da Madeira. Trata-se de uma uva branca transparente, de bagos pequenos com casca fina e delicada. Dela se elabora um vinho seco, claro, muito aromático, frutado, com graduação alcoólica entre 11 e 12,5 graus e que se pode conservar por algum tempo. O renome atual da Torrontés vem de sua surpreendente aclimatação nas províncias argentinas de Salta e La Rioja, em altitudes acima de 1.000 metros, onde chegou trazida da Espanha.
O vinho da Torrontés é hoje considerado o mais típico entre os brancos argentinos. Que o digam as Bodegas La Rosa, de Michel Torino, a Bodega Etchart, de Arnaldo Etchart e a Bodega Família Zuccardi, onde essa casta é também usada no vinho branco doce Santa Júlia Torrontés Tardio.

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