Monday, August 01, 2011

Vinho - A velha questão do Custo/Benefício!

Esquecendo o preço do vinho na loja, um vinho de boa relação custo/benefício é, antes de tudo, uma questão de estado de espírito. O estado de espírito tem muito a ver com o momento e suas circunstâncias.
Simplificando a questão, um vinho de boa relação custo/benefício é aquele que cabe no seu bolso, com maior ou menor folga e que se encaixa na sensação de muita agradabilidade a uma determinada situação em que você está bebendo e, obviamente, vivenciando!
Numa conversa descontraída de bar, terraço ou piscina, um vinho mais básico, bom de boca, deve ser o escolhido. Numa refeição trivial, em casa com a família ou em um restaurante com amigos, um vinho básico mais potente, mais gastronômico, é uma boa pedida. Quando se têm refeições especiais com pratos mais potentes e mais elaborados, o bom vinho tem preço obviamente mais elevado pelos cuidados requeridos na sua elaboração desde os vinhedos até a cantina de vinificação.
Partindo de um nacional, o Premium Merlot da Casa Valduga é um básico de boa relação custo/benefício. O RAR Pinot Noir, elaborado pela Miolo Wine Group, está para as refeições especiais com uma excelente relação. Nas refeições triviais, o francês Beaujolais-Village, do Georges Duboeuf ou do Domaine des Nugues (dos meus amigos Vignerons Gérard e Gilles Gelin), também oferece excelente relação custo/benefício. Um português do Douro, elaborado pela Casa Ramos Pinto, tem potência para altas gastronomias.
Enfim, para reconhecer um vinho de boa relação custo/benefício você deve considerar a abertura que você está dando para a saída de grana do bolso, e experimentá-lo pessoalmente. Só assim você vai concluir pela agradabilidade do vinho em relação às suas expectativas. Nunca vá atrás de conversas complicadas de enochatos!
De quais países vêm vinhos de boa relação custo/benefício? É uma questão interessante... Vou começar pelo avesso. No Brasil este aspecto fica prejudicado porque o draconiano vício do governo brasileiro em taxar abusivamente os vinhos (próximo de 50%), eleva artificialmente o custo, além do frete igualmente oneroso. Cenário similar ocorre com os vinhos americanos, taxados ao redor de 5%, mas que têm como filosofia cobrar altos preços a partir das vinícolas.
Mas para ajudar na sua decisão, recorra aos bons vinhos chilenos, argentinos, portugueses, espanhóis, italianos e franceses... Você tem um leque bem grande de boas opções, com ótima relação custo/benefício!
Bons goles e até a próxima!

Os famosos “Crus” do Beaujolais (Sul da Bourgogne - França)

Quando falamos em Beaujolais, o primeiro que vem à mente da maioria dos enófilos é o Beaujolais Nouveau... O vinho simples, fresco e colocado no mercado na 3ª quinta-feira de novembro todos os anos, apesar de ser interessante, não representa bem a região. (Assim como a garrafa azul fez tão mal aos verdadeiros brancos alemães, o Beaujolais Nouveau deixou uma péssima imagem dos autênticos Beaujolais).
Nos níveis mais altos, a expressão da uva Gamay impressiona pela variedade de estilos. Quando digo níveis mais altos, refiro-me aos famosos “10 Crus do Beaujolais”. Cada “cru” é representado por uma comuna (cidade vinícola) e leva seu nome. Nesta região dos Crus, o solo tem mais granito, com porcentagens variadas de areia, com melhor drenagem a temperaturas mais altas. Toda a uva é colhida manualmente. Isto se dá, principalmente, porque o método de fermentação das uvas é por maceração carbônica e, para isso, as uvas precisam estar intactas, sem esmagamento pré-fermentativo.
Situando-se entre as cidades de Mâcon (a norte) e Lyon (a sul), esta ‘apelação’ é discriminada mesmo dentro da Bourgogne, chegando vários autores a descartá-la do mapa borgonhês. Eu não!... Tanto que estou aqui (em Lancié, arredores de Macôn) hoje, dia 09 de Junho’2011, visitando um dos produtores desses famosos ‘crus’, a quem presto consultoria no Brasil: Domaine des Nugues, do meu amigo Vigneron Gérard Gelin e seu filho Gilles. (
www.domainedesnugues.com )...
Beaujolais é uma antiga província francesa cuja capital histórica é Beaujeu, de onde a região tira seu nome, e cuja capital atual é Villefranche-Sur-Saône.
A uva Gamay - Variedade (casta) única na elaboração do Beaujolais - é delicada, de taninos finos e tende aos aromas frutados, gera inclusive algumas expressões mais minerais, dependendo do ‘cru’, da constituição de seu solo e clima da safra. Alguns bons exemplos desenvolvem-se, melhorando tranquilamente, por 10 anos. Os famosos ‘crus’ a que me refiro, são:

ST. AMOUR: Região fresca, precisa de safras ensolaradas.
JULIÉNAS: Vinhedos altos dão grandes vinhos, considerados o máximo da qualidade. Frutados, intensos, com taninos firmes e ótima acidez, perfeitos para guardar.
CHÉNAS: Seu nome vem dos “chênes” (carvalhos) que cresciam na área. Vinhedos sobre granito. Os de safras mais maduras agüentam um tempo de guarda.
MOULIN A VENT: Um dos maiores e mais longevos vinhos do Beaujolais. Terrenos de areia rosa sobre granito e manganês. Precisa de certo tempo em garrafa para desenvolver aromas.
FLEURIE: Exuberante, cheio de fruta e fácil de beber.
CHIROUBLES: Fica pronto cedo, é leve e delicado.
RÉGNIÉ: Solo leve, granito arenoso. Vinhos leves, aromáticos, delicados. Quanto mais ao sul, mais leves.
MORGON: Aromas generosos de cereja e morango, com acidez marcada e refrescante. Esse vinho passa por barricas de carvalho e ao contrário de outros Beaujolais, atinge seu apogeu 05 anos após a colheita.
BROUILLY: Maior produção de vinhos da região. Variam devido ao tamanho da AOC. Simples, mas com boa estrutura.
CÔTE DE BROUILLY: Um pouco superior aos Brouilly. Frutados, ricos e vinosos.
Enfim, o verão brasileiro - e também o francês - é um grande desafio a ser vencido pelos vinhos tintos, principalmente aqueles mais robustos e alcoólicos, como a maioria dos produzidos no Novo Mundo... O calor pede também pratos mais leves e vinhos que ganhem quando servidos a temperaturas mais baixas. Por isso, a opção por um bom Beaujolais-Villages ou um Cru de Beaujolais merece estar presente na mente e na mesa do aficionado do vinho e da gastronomia...


Saúde, Santé!

Tuesday, February 08, 2011

Núpcias?... Ah!..., tem que ter Champagne!

Para brindar sua noite de núpcias em grande estilo, não hesite no glamour que a ocasião exige.... Escolha um belo Champagne, essa centenária, deliciosa e saudável bebida!... Dom Pérignon, Moêt & Chandon Brut Imperial, Krug, Gosset, Tattinger etc.
A bebida perfeita para celebrar esta ocasião é, sem dúvida, o Champagne ou um bom Espumante Brut (seco), que agradam a todos os gostos e são as mais populares entre as pessoas. Entretanto, se o lugar, o clima, ou a pessoa que a acompanha exigir um vinho particular, não vacile!
Se estiver promovendo uma festa, atente ao seguinte detalhe: Conforme o estilo da recepção, o consumo muda... Em um evento com banda animada, por exemplo, é indispensável servir bastante água, diferente de uma recepção calma, onde o ideal é servir coquetéis... Prestar atenção nestes detalhes garantirá uma festa maravilhosa e, certamente, será comentada, pois a escolha das bebidas influencia no sabor dos pratos a serem servidos e colabora para um “casamento” ideal de paladares.
Não beba nem sirva aos seus convidados vinhos secos com alimentos doces, pois o vinho terá um sabor ralo e ácido, desagradável, e fique com carnes vermelhas se o vinho for um tinto de alto teor de tanino, como um Barolo (italiano), Dão ou Bairrada (portugueses), ou um Bordeaux (francês) e pronto!...
Comidas com untuosidade e maresia, a exemplo de mariscos, vôngoles e moluscos em geral, combinam bem com Vinhos Verdes, Champagnes e Espumantes Brut, alguns vinhos de Sauvignon Blanc e Chardonnay ‘sem madeira’.
Desse modo, o mais sensato a fazer, para não complicar, é seguir algumas regras obvias, ou seja:

· Bacalhau assado, Atum, Carnes brancas, Vitela, Embutidos:
> Vinho tinto leve (Beaujolais-Village, Valpolicela, Bardolino, Espumante rosé).
· Carnes Vermelhas grelhadas ou assadas;
· Massas e Risotos com molhos de carne ou de tomate;
· Filé Mignon, Bracciolas e Almôndegas.
> Vinho tinto de corpo médio (Pinot Noir, Merlot, Syrah, Malbec).
· Churrasco, Rabada, Carnes de Caça, Feijoada.
> Vinho tinto encorpado (Cabernet Sauvignon, Tannat, Carménère, Pinotage).
· Linguado, Pescada, Salmão defumado.
> Vinho branco leve (Riesling Itálico, Sauvignon Blanc, Espumante brut).
· Robalo; Camarão; Mariscos;
· Massas e Risotos cremosos ou com frutos do mar.
> Vinho branco médio (Chardonnay sem madeira, Gewürztraminer, Alvarinho, Arinto).
· Bacalhau com molho branco; Salmão fresco; Lagosta;
· Pintado, Surubim, Pirarucu, Tambaqui, Aves brancas (frango assado e peru).
> Vinho branco encorpado (Chardonnay amadeirado, Viognier, Montrachet, Chablis Grand Cru).

Frios em geral - com Vinhos tintos ‘ligeiros’, pouco densos e nada tânicos.
· defumados, salgados e gordurosos: Vinhos jovens!... Tente, por exemplo:
> Embutidos: com Beaujolais-Village ou qualquer outro vinho da uva Gamay.
> Presuntos crus: com Jerez (Xerez) ou Vinho do Porto Tawny.
> Salame: com Chianti e outros vinhos toscanos (Região da Toscana, Itália).
> Mortadela: com Lambrusco e outros vinhos frisantes tintos secos.
> Peru e frios de carne branca: com Chardonnay do “Novo Mundo” (Austrália, USA, Chile, Argentina, Brasil).

Pizzas e Tortas (Salgadas) - Os vinhos ideais para acompanhamento são:
· Mozzarela: brancos de boa acidez ou tintos leves, jovens.
· Aliche: Espumante brut (ou Cerveja).
· Calabresa: Beaujolais-Village (francês), Gamay brasileiro (Jovens e frutados).
· Portuguesa: tintos tânicos, jovens.
· de Palmito: brancos estruturados.
· Alho e Óleo: brancos, se for delicado.
· Com Frutos do Mar e/ou Camarões: Chardonnay.

Sobremesa em geral - Acompanhe com vinhos próprios, a saber:
· Sauternes (Franceses), Late Harvest (Argentinos e Chilenos), Espumante Moscatel ou mesmo um Chandon Passion Demi-Sec (Brasileiros).

Os inimigos do vinho - Há certas comidas que devem ser evitadas ao redor dos grandes vinhos, pois em geral não reagem bem com eles. Evite, por exemplo:
· Aspargos, Ovos, Alcachofras, Sopas, Alho (forte), Vinagre (nas saladas).
· Uvas (tipos de frutas ácidas), Pimenta, Azeitonas, Picles, Chocolate¹. (¹O chocolate e doces a base dele, especificamente, deve ser acompanhado com um Banyuls (Francês), Jerez oloroso (Espanhol) ou com um Vinho do Porto Ruby (Português). Nenhum outro vinho é recomendado para acompanhar sobremesas à base de chocolate!)

Wednesday, April 07, 2010

O que significa o termo francês “Terroir” ?

Desta feita resolvi falar sobre um tema que ainda causa muitas dúvidas nas pessoas, inclusive para muitos enófilos, apreciadores de vinhos e até mesmo profissionais do ramo. É o termo Terroir. Este, definitivamente, não é algo que se possa explicar facilmente, pois é um termo complexo e abrangente. Portanto, compartilho com vocês um pouco da minha experiência para ajudar a entender o que é Terroir!
E o que então significa “terroir”?
Para mim seria bem mais fácil escrever ou falar sobre “terroir” se eu já não tivesse passado algum tempo num “Domaine” na Bourgogne - França, e vivenciado com eles e no meio deles a complexidade desse termo. Para os franceses está intrínseco na cultura daquele país, e para quem não vive lá ou nunca esteve visitando um Château na região de Bordeaux, um Domaine na Bourgogne ou mesmo um pequeno viticultor na Côtes-du-Rhône ou no Languedoc-Roussillon (Sul da França), realmente fica difícil compreender tamanha complexidade.
A palavra terroir é muito antiga, e acredita-se que seja uma modificação lingüística de formas antigas - tieroir e tioroer, com origem no latim popular “territorium”.
Características de produção, desde a forma de plantio da uva, o tratamento, a colheita e a elaboração de vinhos - geralmente com produções bem pequenas - foram fatores relevantes na formação deste termo, definido no Século XIX, exatamente em 1929!
Mais recentemente, desde uns 15 anos atrás, a palavra “terroir” ganhou uma conotação positiva no mundo do vinho, e embora sem entender muito, sabe-se que se trata de algo bom... Mas o que exatamente?
Alguns associam apenas como sinônimo de clima, o que acho simplista demais para um termo tão abrangente... O que posso dizer é que o “terroir” - considerado o principal fator pelo qual uma casta (uva) possa, em locais distintos, dar vinhos tão diferentes, é tradicionalmente definido como o conjunto de fatores ambientais que caracterizam um vinhedo... Em outras palavras: o solo, sua estrutura, sua exposição ao sol, vento e chuva, sua orientação geográfica, sua topografia, o clima, e o micro-clima que lhe está associado.
Na verdade, “terroir” é uma palavra antagônica a toda forma de padronização, de uniformização e estandardização do vinho. E vai de encontro ao que é natural, original, ao típico. Ou seja, na França, é a propriedade toda onde se produz o vinho, incluindo tudo o que já disse anteriormente e mais o amor com que se dedicam a fazê-lo!
O “terroir”, como um conceito cultural (principalmente na França), considera que a maior parte das pessoas vive para a produção dos vinhos, que para elas não é uma simples mercadoria, mas uma obra de arte da qual participam e se orgulham. A produção destes vinhos é parte da cultura local e está relacionada com a identificação que estas pessoas possuem com sua região e seu país.
Este é o motivo pelo qual podemos compreender o tratamento dado pela resistência francesa aos vinhos durante a Segunda Guerra Mundial. As garrafas foram um tesouro bem protegido e escondido dos alemães! Obviamente, o sentido de preservação não consistia apenas em conservar um bem material, mas o símbolo de uma identidade, de um orgulho nacional. Não entregá-lo era, em certa medida, poupar a própria alma dos franceses, ou ao menos daqueles grupos que se vinculavam culturalmente aos terroirs!
E é por isso que o termo é tão complexo, unir os elementos naturais ao “savoir-faire” (saber fazer), como dizem os franceses, é o que faz toda a diferença.
Conseguir expressar em um vinho as características do solo, sua estrutura, sua exposição ao sol, vento e chuva, sua orientação geográfica, sua topografia, o clima, e o micro-clima da região, através das intervenções humanas, seja o vigneron (viticultor) homem ou mulher, realmente é algo que vai muito além de “clima”... E isso é “terroir”!
Bons goles!

Minha visita ao Chile durante o Carnaval brasileiro de 2010!

Aproveitando o período do carnaval brasileiro deste ano, estive visitando o Chile com minha mulher e um casal de amigos queridos, revendo Santiago - sua linda e majestosa capital, além das cidades de Viña del Mar e Valparaíso e, para não perder a chance e o hábito, algumas das suas célebres regiões vinícolas. Para os(as) leitores(as) desse meu Blog, amigos(as) e apreciadores(as) de vinhos, conto alguns detalhes dessa viagem.
Recepcionados e instalados no Novotel Vitacura (localizado num elegante bairro de Santiago, dirigido pelo meu velho e dileto amigo - Luiz R. Segalla), desfrutamos do bom e do melhor da cidade, que oferece aos seus visitantes tudo que desejar, incluindo desde uma simples Empanada à Alta Gastronomia. (Ao final destaco alguns lugares imperdíveis para saborear o melhor da cozinha chilena e internacional na cidade!).
Santiago está localizada na zona central do país, rodeada pela majestosa Cordilheira dos Andes, a 120 km do Oceano Pacífico. Nosso primeiro dia foi dedicado a uma visita pelo centro da cidade - Colina de Santa Lúcia (local da fundação da cidade há exatos 469 anos, comemorados no último dia 12 de fevereiro, quando estávamos presentes!), Palácio Presidencial de La Moneda, Suprema Corte, o antigo Edifício do Congresso, Plaza de Armas (A Plaza de Armas é o marco zero de Santiago. É lá que todo mundo se encontra - estudantes, pregadores, namorados, pedintes, artistas de rua - sob a aquiescência da grandiosa Catedral Metropolitana, construída parte em estilo neoclássico, parte em barroco), passando ainda pelo Museu de Arte, os bairros históricos e os Shoppings do moderno bairro de Previdência e Las Condes.
Nos outros dias, além de perambular por outros locais, almoçar e jantar em diferentes restaurantes, descobrimos muitas novidades boas em Santiago!
Durante a nossa estada, fomos também ao Valle Nevado, localizado a 3.150 metros de altura, em plena Cordilheira dos Andes... Uma aventura e tanto, pois eu fui o motorista!
Os dias seguintes foram dedicados para visitar vinícolas, começando pela Viña Casas del Bosque, localizada no Valle de Casablanca, a 70 km de Santiago e a 30 de Valparaíso. Fundada em 1993 como uma vinícola boutique de família, dedica exclusivamente a produzir vinhos de qualidade. Seu proprietário trabalhou no Château Pétrus (em Pomerol - Bordeaux, França) em 1985 (morando na cozinha!), e na Maison Joseph Drouhin (Bourgogne), além de muitas outras propriedades de renome.
A vinícola conta com uma gama de diferentes atividades, incluindo um restaurante nota 10!. É um lugar para ser visitado como uma experiência eno-turística diferente e inesquecível. Um lugar realmente encantador! Almoçamos lá, saboreando pratos deliciosos e degustando um Pinot Noir simplesmente maravilhoso, podendo dizer que foi o melhor que já experimentei fora da Bourgogne!
Os interessados por novidades devem ficar atentos aos vinhos dessa vinícola, pois mostra muita consistência em todos os níveis, inclusive na relação preço-qualidade, eis que possuem atributos para se destacar na multiplicidade de opções de vinhos andinos existentes no nosso concorrido mercado interno.
Ainda no Valle de Casablanca, além da Viña Casas del Bosque, visitamos também a Vinhedos Emiliana (Vinhos Orgânicos), que produz excelentes vinhos brancos com as castas Chardonnay e Marsanne.
Depois, em outro dia, fomos ao Valle del Maipo, com visita programada na Viña Tarapacá (Ex-Zavalla), localizada num lugar deslumbrante, igualmente encantador. Lá fomos recebidos pela Cláudia Diaz (Relações Públicas), sob recomendação do meu amigo Vigneron Javier Iglesis Buchanan (Diretor de Operações da vinícola na Europa).
Como mencionei no início dessa matéria, também fomos a Viña Del Mar e Valparaiso. São 120 km até o Oceano Pacífico. Uma ‘dica’ para quem também for visitar o Chile... Vale a pena apreciar a diversidade da paisagem própria do Valle de Curacavi, seguindo para o Valle de Casablanca, muito conhecido por sua grande produção de vinhos brancos da casta Sauvignon Blanc, entre outros. Chegando a Valparaiso (Capital Legislativa e principal porto do Chile - recentemente declarada ‘Patrimônio Cultural da Humanidade’ pela UNESCO), você vai se surpreender de ver como suas casas encravadas nas colinas fazem dela uma cidade bastante pitoresca. Visite os principais pontos atrativos de Valparaiso: Plaza de La Victória, Plaza Sotomayor, Monumento às Glórias Navais - Praça 21 de Mayo (suba no mirante ali existente para apreciar o majestoso porto). Depois faça uma caminhada pelas colinas, subindo pelos diferentes elevadores, como fazendo parte do ambiente portenho. Em seguida, continue a viagem até Viña Del Mar, conhecida como a “Cidade Jardim”. Ali poderá ver o “Relógio de Flores”, o “Cassino” e o pequeno vilarejo de Rañaca, lugar onde vale uma parada para o almoço. Depois faça um breve passeio pela praia. Regresse a Santiago pela via costeira, entrando na “Quinta Vergara”, lugar conhecido por seu Festival Internacional da Canção e, em seguida direto até Santiago. Terá feito um belo passeio em apenas um dia, exatamente como fizemos nessa nossa viagem!...
Para finalizar, conforme prometido segue as dicas dos lugares para saborear o melhor da cozinha chilena e internacional na cidade - todos com excelente ‘Carta de Vinhos’!
Adra, El Alcalde 15, Hotel Ritz-Carlton, Las Condes, 4708500
Agua, Nueva Costanera 3467, Vitacura, 3410843
Alfresco, Las Condes 7542, Las Condes, 2118054
Anakena, Av. Kennedy 4601, Hotel Grand Hyatt, Las Condes, 9503177
Astrid y Gastón, Antonio Bellet 201, Providencia, 6509125
Baobab, Plaza El Mañío 1632, Vitacura, 9535409
Boragó, Av. Vitacura 8369, Vitacura, 2248278
Brick, Av. Vitacura 2610, Hotel Radisson, Vitacura, 2036000
Da Carla, Nueva Costanera 3673, Vitacura, 2065557
El Cid, Av. Santa María 1742, Hotel Sheraton, Providencia, 2335000
El Otro Sitio, La Dehesa 1445, Portal La Dehesa, Lo Barnechea, 2161732
Emilio, Escrivá de Balaguer 5970, 3556910
Europeo, Alonso de Córdova 2417, Vitacura, 2083603
Latin Grill, Av. Kennedy 5741, Hotel Marriot, Vitacura, 4262000
Le Flaubert, Orrego Luco 125, Providencia, 2319424
Les Maîtres, Américo Vespucio Sur 922, Las Condes, 2069098
L’Etoile Lounge, piso 21 Hotel San Cristobal Tower, Providencia, 7071000
Mercat, Nueva Costanera 4092, Vitacura, 7842840
Opera, Merced 395 , Santiago, 6643048
Puerto Marisko, Isidora Goyenechea 2918, 2332096
Puerto Fuy, Nueva Costanera 3969, Vitacura, 2088908
... Mas para quem quiser experimentar o melhor de Pescados e Mariscos, eis o lugar mais indicado e super tradicional: El Galeón - Mercado Central. Clássico local do Mercado Central, cuja especialidade são os Pescados y Mariscos. Entre seus pratos oferecidos estão: Cancato galeon, fetuccine con salsa el galeón, pulpo a la gallega, centolla entera, calamar relleno. (Endereço: San Pablo, 943 - Local 26, Mercado Central).
Fora isso, o mais novo ‘point’ da gastronomia local chama-se: Borde Rio, um “Plaza” onde só têm restaurantes (11, para ser exato!)... O “Due Torre” é o must... Confira!!!
Bons goles!

GLERA - A uva do Espumante “Prosecco” de Valdobbiadene!

Os italianos passam a chamar de "Glera" a cepa (uva) Prosecco e reservam o termo "Prosecco" para o nome de uma vasta região produtora demarcada.
Em razão disso, esqueça quase tudo o que você aprendeu sobre o 'Prosecco' - o leve e gostoso espumante elaborado na região do Vêneto, no norte da Itália. Até agora, todos os livros e cursos sobre vinhos italianos ensinavam que "Prosecco" era tanto o nome do espumante quanto da uva usada exclusiva ou majoritariamente em sua elaboração.
Desde o dia 01 de Agosto'2009, 'Prosecco' deixou de ser oficialmente o nome da cepa (uva) branca empregada neste espumante. A variedade, diz a nova legislação penisular que acaba de entrar em vigor, passou a se chamar "Glera", nome com o qual a uva era conhecida na vizinha região do Friuli-Venezia Giulia, perto da fronteira com a Eslovênia.
As mudanças não param por aí... A região clássica, historicamente associada à produção do espumante, ao norte da cidade vêneta de Trevisa, entre as colinas de Conegliano e Valdobbiadene, foi promovida da condição de DOC (Denominazione di Origine Controllata), em que estava há exatos 40 anos, para a de DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita). Ao menos na letra fria da lei, as áreas que são DOCG deveriam produzir vinhos de maior qualidade do que uma DOC, embora essa definição seja realmente mais técnica do que prática. E tem mais!.. A vasta zona mais plana em que se produzia Prosecco dentro da categoria IGT (Indicazione Geográfica Típica), a que legalmente possui menos restrições e controles de qualidade, foi elevada à condição de DOC e estendida a ponto de incluir áreas do Friuli, distantes mais de 130 km da área vêneta historicamente associada ao Prosecco.
O aumento da área produtiva veio, obviamente, corrigir uma omissão do passado: os italianos agora nos ensinam que a uva Prosecco (ou seja, a Glera) é, na verdade, originária de uma localidade friulana, distante 10 km do centro da cidade de Trieste, chamamada Prosecco.
O novo cenário, bastante artificial, está criado e seu objetivo é claro: proibir o uso da palavra "Prosecco" nos rótulos de espumantes elaborados fora das zonas delimitadas de produção no Vêneto e no Friuli. Como era nome de uma uva, o termo Prosecco podia ser utilizado por produtores de qualquer parte do mundo no rótulo de espumantes feitos com essa variedade. Agora, numa canetada, Prosecco deixou de ser legalmente uma cepa vinífera e ganhou a condição de DOCG e de DOC, ou seja, Prosecco virou oficialmente a designação de uma denominacão de origem, de uma região produtora demarcada, um conceito protegido pela legislação europeia. Em suma, a estratégia é a mesma utilizada no início do século passado pelos franceses para garantir o uso exclusivo do nome "Champagne" nos espumantes produzidos na região das cidades de Reims e Épernay. A única diferença, nada desprezível, é que a palavra "Champagne" sempre foi usada no passado (e no presente!) para evocar uma região, enquanto o vocábulo "Prosecco", consagrado como nome de uva, nunca foi empregado para evocar uma zona de produção.
Enfim, a nova regra (legal) está efetivada e será posta em prática imediatamente...
Eu, como sempre fiz, continuarei tomando meus “Prosecco de Valdobbiadene DOC CREDE” da Azienda Agrícola Bisol Desiderio & Figli ( www.bisol.it ), um dos mais respeitados produtores da região onde a uva Prosecco (agora Glera) sempre foi vicejante e fez o mundo conhecer esse saboroso espumante!
Bons goles!

Sunday, November 16, 2008

Outono Europeu’2008 - Viagem à Itália e França!

Em outubro passado, na companhia da minha mulher e um casal de amigos queridos, estive visitando a Inglaterra (Londres), a Holanda (Amsterdam e arredores), a Itália (Lombardia, Toscana e Ligúria) e França (Côte D’Azur, Provence, Côtes-du-Rhône, Bourgogne e Paris)... Detalhei o roteiro para que todos saibam do meu amor pelo vinho e suas regiões produtoras, já que ‘conhecer vinhos’ não é apenas saber definir rótulos, procedência e preços, como muitos ‘entendidos’ pensam e propagam!
Londres e Amsterdam foram incluídas no roteiro por duas razões: A primeira, para visitar um sobrinho que vive lá e ‘matar a saudade’ do lugar, pois também vivi em Londres durante três maravilhosos anos quando ainda jovem, estudando no Chelsea College (University of London), embora sempre tenha ido lá quando estou na Europa. A segunda, a pedido dos amigos que nos acompanharam - que queriam conhecer a capital do reino holandês e visitar alguns lugarejos do interior (onde pudessem ver de perto moinhos de vento, visitar fazendas de produtores de queijos etc.).
De Amsterdam voamos direto para Milão (Itália, região da Lombardia), a partir de onde passamos a fazer o roteiro com uma VAN Renault. Ainda em Milão, fomos a COMO e BELLAGIO, fazendo um passeio de barco pelo Lago de Como durante um dia todo, deliciando-nos com as paisagens pitorescas à beira do famoso lago e degustando vinhos do mais respeitado produtor da região: Cà del Bosco/Franciacorta.
Partindo de Milão, fomos direto para Bologna (onde está a mais antiga Universidade Italiana, construída no século 11), passando por Parma (dos festejados queijos e embutidos) e Modena (dos vinagres Balsâmicos). De lá direto para Firenze (das artes, banhada pelo rio Arno). A próxima parada foi Siena (a segunda cidade mais importante da Toscana - e foi a principal entre os séculos 13 e 16, quando a peste a atingiu e Firenze ganhou poderio). Palco do Palio, maior festa da Toscana e uma das mais tradicionais de toda a Itália, Siena é tradicional e extremamente bem preservada - parece que quase nada mudou, pelo menos nas fachadas, nos últimos 800 anos! Cercada pelo Vale de Chianti, onde é produzido o famosíssimo vinho e também excelentes azeites, Siena é um ótimo centro gastronômico.
Entre as duas maiores cidades da região da Toscana, levei meus amigos para conhecer pequenas pérolas: Monteriggioni - minúscula, parece um cenário de filme. San Gimignano - cidade também pra lá de especial, construída sobre um monte, conta com uma série de torres construídas entre os séculos 11 e 13, verdadeiros arranha-céus da Idade Média. Aqui se produz um outro tipo de vinho típico da região, o Vernaccia di San Gimignano. Em seguida, ao sul de Siena, fomos a Montalcino, terra do famosíssimo vinho Brunello di Montalcino, onde saboreamos um ‘BIONDI SANTI’ e um ‘VAL DI SUGA - ANGELINI’ na ‘fonte’, este elaborado por TENIMENTI ANGELINI - tão especial quanto o primeiro, mas ainda pouco conhecido no Brasil - do qual trouxe uma garrafa da sua ótima safra de 1999, além de outros lá degustados.
Saindo da região da Toscana entramos na Ligúria e fomos direto à Savona, já quase na Riviera Italiana, e de lá até o Principado de Mônaco e depois Nice, na Côte D’Azur (França), de onde também fui mostrar outros lugares que encantaram nossos amigos acompanhantes: Cap d’Antibes, Saint Raphael, Fréjus, Cannes (que é o epicentro do glamour!) e a medieval Saint Paul de Vence - que conquista os turistas com seus castelos, artistas, museus, bons perfumes e restaurantes. (Para quem não sabe que ela existe, seria apenas mais uma muralha medieval se não escondesse uma das mais charmosas ‘villages’ da região! Ladeiras e vielas parecem se multiplicar nos caminhos de Saint-Paul-de-Vence, que fica a 18 km de Nice e 26 de Cannes). Bom lembrar que, enquanto na Côte D’Azur, em nossos jantares só degustamos vinhos produzidos na região da Provence (rosés do Château de Vanniéres) e Bandol (os famosos Banyuls, de Michel Chapoutier).
Deixando a Côte D’Azur, entramos na região da Provence e da Côtes-du-Rhône, seguindo até Avignon, cidade medieval e palco de grande parte da história da França. É a cidade natal do pintor Paul Cézanne, e onde também está o Palácio dos Papas, que serviu de residência dos papas fugidos da guerra civil que atingia Roma, no século 14. O prédio tem 50 mil metros quadrados de área, praticamente pelado em razão de um grande incêndio no ano de 1.413. É também nos arredores de Avignon que se produz o célebre vinho Châteauneuf-du-Pape, elaborado com até 13 tipos de uvas diferentes, mas com predominância da grenache, casta nobre da região. Um dos seus melhores produtores é o Château de La Gardine (quem quiser experimentá-lo aí em Manaus, minha amiga Janete Fernandes tem ele na Adega do seu Palazzolo).
A partir de Avignon entramos na Bourgogne, passando por Beaune (a capital do vinho) e Dijon (a capital da região, da mostarda e do cassis), seguindo direto para Villefranche-Sur-Saône (capital do ‘Pays Beaujolais’ - Sul da Bourgogne). Aqui, para deleite dos nossos acompanhantes, fomos recepcionados pelos meus queridos amigos franceses Yvianne e Pierre Defay com um farto e delicioso ‘déjeuner’ (almoço) em sua residência - Château de Chénevert - localizada no meio dos vinhedos de Gleizé e ao redor dos ‘villages’ produtores do vinho mais consumido na França - Beaujolais! Eles ainda foram nossos cicerones em visita a vários vilarejos na região e nos despedimos jantando num renomado e histórico restaurante familiar de outros amigos da região.
Deixando Villefranche-Sur-Saône (cidade localizada 34 km ao norte de Lyon), fomos direto à Paris, onde permanecemos uma semana, encerrando nossas férias do Outono Europeu’2008 e retornando ao Brasil... Foi ótimo, pois a Europa continua linda e maravilhosa!
Nota: Quem estiver interessado em ver alguns dos lugares visitados, é só pedir fotos por e-mail... Foi tudo devidamente registrado!
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Qual a melhor procedência dos bons vinhos?

Dia desses alguém me perguntou quais seriam as melhores procedências para se escolher um bom vinho, se Bordeaux, Bourgogne ou Novo Mundo... É mais ou menos como perguntar o que é melhor - morango, banana ou abacaxi; amarelo, azul, ou vermelho; loira ou morena; verão ou inverno etc.
Em se tratando de vinhos, tanto a região de Bordeaux, quanto a Bourgogne e o Novo Mundo - e também inúmeras regiões de Portugal, Espanha, Itália e da própria França e outros países - produzem ótimos vinhos desde há muito tempo. De fato, escolher entre Bordeaux, Bourgogne e Novo Mundo (Austrália, Chile, Argentina, Brasil) é totalmente uma questão de gosto e preferência pessoal, além de ocasião e harmonização com a comida, obviamente!
Os grandes vinhos de Bordeaux são elegantes, aristocráticos e ‘classudos’, mas bem mais encorpados e potentes do que os tintos da Bourgogne, que são mais marcados pela delicadeza, finesse e complexidade de aromas.
Ao mesmo tempo, falar em vinhos do Novo Mundo é muito genérico. Existem muitos estilos diferentes de vinhos no Novo Mundo, alguns dos quais inclusive se aproximam dos Bordeaux (mas quase nenhum dos Bourgognes, que são um tanto “únicos”). Normalmente, o que se entende pelo “típico estilo Novo Mundo” são vinhos encorpados e concentrados, exuberantes, cheios de fruta e com envelhecimento em carvalho, em um estilo expansivo e intenso, com menos acidez e mais doçura do que os vinhos tradicionais europeus. Enfim, é sempre uma questão de gosto pessoal, ocasião e acompanhamento, pois são estilos diferentes. No entanto, um dos grandes charmes do mundo do vinho é justamente esta enorme variedade de estilos, procedência e tipos de vinho. É claro que, dentro de certo estilo, e mesmo entre estilos, há diferentes níveis de qualidade. Mas entre regiões tão consagradas, é difícil afirmar categoricamente que uma determinada região produz vinhos melhores do que a outra. Podemos comparar vinhos específicos e dizer qual o preferido para uma determinada ocasião ou segundo nosso gosto pessoal... Mas daí a dizer que Bourgogne é melhor que Bordeaux, ou vice-versa, ou que o Novo Mundo é melhor ou pior que ambos, é fazer uma perigosa e difícil generalização. Por sorte existem tantos estilos e procedências para apreciarmos, sem ser preciso definir qual é o melhor. Todos podem ser muito bons, dependendo do produtor e do vinho...
Em minha recente viagem à Europa, por exemplo, onde estive visitando regiões vinícolas na Itália e na França durante o mês de outubro’2008, descobri em Montalcino (na Toscana, ao sul de Siena), vários “Brunelo de Montalcino” de outros produtores tão bons quanto o mais famoso (e caro!) deles - Biondi Santi.
Um desses bons exemplos é o Brunelo de Montalcino “VAL DI SUGA - ANGELINI”, elaborado por TENIMENTI ANGELINI S.p.A., do qual trouxe uma garrafa da sua ótima safra de 1999, além de outros lá degustados. Do mesmo modo ocorreu no sul da Bourgogne, em torno da cidade de Macôn, onde são produzidos os famosos brancos “maconnais”, dos quais também degustei vinhos maravilhosos de produtores pouco conhecidos entre nós.
(Nota: O “Val di Suga - Angelini” que eu trouxe de Montalcino, foi degustado com meu amigo Ronaldo Grapíglia (GG do Novotel Manaus), no “Caverna Bugre”, restaurante dos amigos Miguel e Eduardo Politshuk - devidamente harmonizado com o delicioso e famoso “Filé Alpino”, o prato carro-chefe da casa - existente desde 1950 no mesmo endereço paulistano).
Enfim, como citado anteriormente, por sorte existem tantos estilos e procedências para apreciarmos, sem ser preciso definir qual é o melhor. Todos podem ser muito bons, dependendo do produtor e do vinho...
Por isso é que precisamos aprender a apreciar vinhos e não rótulos, deixando de lado o preconceito de que apenas os excessivamente caros são os melhores!
Bons goles!
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Thursday, May 15, 2008

As cepas vitiviníferas gregas têm nomes e sabores diferentes de tudo que se conhece!

Os críticos internacionais garantem que os principais produtores gregos são capazes de fazer vinhos de alta classe com cepas de origem francesa, sejam elas tintas (Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah) ou brancas (Chardonnay, Viognier, Sauvignon Blanc). Mas o grande diferencial da vitivinicultura na Grécia são suas uvas autóctones, algumas cultivadas desde a Antiguidade. Estima-se que o número de variedades locais chegue a 300, talvez até 500. São nomes pouco conhecidos fora da Grécia, como as brancas Asyrtiko, Moschofilero, Roditis e Malagousia, e as tintas Agiorghitiko, Xinomavro, Mandelaria e Mavrodaphne. Na passagem do grego para o alfabeto ocidental, a grafia das cepas pode apresentar variações um pouco maiores do que a dualidade Syrah/Shiraz. Dependendo da fonte consultada, a tinta Agiorghitiko, por exemplo, pode ser escrita Aghiorghitiko ou Agiorgitiko, entre outras variações. É bom o consumidor ir se acostumando com essas particularidades. Abaixo um breve perfil das principais uvas gregas: Asyrtiko - Apontada como a grande uva branca grega, talvez a melhor de todas as cepas autóctones, alguns especialistas costumam compará-la à francesa Chenin Blanc, do Vale do Loire. As melhores versões dos vinhos secos feitos com essa variedade, bastante resistente a doenças e de boa adaptação a diversos climas, podem lembrar os longevos vinhos da denominação francesa de Savennières, no Vale do Loire. Originária ou introduzida há cerca de 400 anos na vulcânica ilha de Santorini, no mar Egeu, sul da Grécia, a Asyrtiko espalhou-se por outras partes do país, sobretudo o norte. Uma de suas principais características é ser capaz de amadurecer mesmo em climas quentes sem perder a acidez. Dá vinhos perfumados, austeros, com toques cítricos, minerais e defumados. Pode passar ou não pelo carvalho durante seu processo de elaboração. No entanto, não é fácil de ser vinificada e, nas mãos de um produtor pouco habilidoso, pode oxidar. Alguns produtores misturam-na com outra cepa grega branca, a Malagousia, que foi salva da extinção graças ao trabalho de resgate feito por Evanghelos Gerovassiliou, da vinícola Gerovassiliou. A Asyrtiko pode ser usada também para fazer um vinho doce, um “Vin Santo” grego, no qual as uvas são desidratadas ao Sol e geralmente misturadas com um pouco das brancas Aidani e Athiri. Moschofilero - Originária da parte central do Peloponneso, sul da Grécia, uma zona fresca situada à cerca de 650 metros acima do nível do mar, é uma cepa branca aromática de boa acidez que pode produzir vinhos dos mais diversos estilos: leves, secos e frutados; rosés secos ou meio-secos com perfume de rosas; ou até espumantes. Na verdade, não se trata realmente de uma uva branca, mas sim de uma blanc de gris, ou seja, uma variedade que tem a casca entre o rosa e o cinza.
------------- Uva Asyrtiko ----------------- Mythiko White - 100% Athiri
Emery Red - 100% Amorgiano
A denominação de origem Mantinia, no Peloponneso, é tida como uma das principais fontes de bons rótulos dessa uva. Seus vinhos não costumam ter teor alcoólico dos mais altos, raramente chegam a 12°GL. Como a italiana Vespaiolo, o nome Moschofilero deriva da presença de muitos insetos em torno da uva quando esta se encontra madura.Agiorghitiko - Disputa com a Xinomavro o título de melhor tinta local. Os enófilos da região também a chamam de St George. Tem taninos macios, boa fruta e dá vinhos de cor escura dos mais variados estilos: desde os leves e descompromissados (inclusive rosés) até os mais estruturados e capazes de encarar um carvalho e envelhecer por anos. Por suas características, sobretudo a elegância, costuma ser comparada a Merlot. Os tintos da região de Neméia, no Peloponneso, uma das maiores denominações gregas, são feitos com a Agiorghitiko. Xinomavro - Encontrada na parte central da Macedônia, norte da Grécia, sobretudo nas localidades de Naoussa, Goumenissa e Amyndeo, é uma cepa de difícil cultivo, caprichosa, que dá bons vinhos apenas em certas regiões e em anos quando seu amadurecimento se dá por completo na videira. Seu nome quer dizer “preto ácido”, uma referência à bebida austera de cor escura, grande acidez e taninos por vezes adstringentes que a variedade produz. Segundo os especialistas, os melhores vinhos dessa uva podem envelhecer por anos. Há quem compare a Xinomavro à italiana Nebbiolo, a uva da qual se elabora o famoso Barolo, ou à portuguesa Baga, da região da Bairrada, também responsável por grandes e belos vinhos. A cepa é usada mais para a produção de ‘varietais’, embora às vezes surja também em ‘blends’ com outras uvas. (Fotos: Uva Assyrtiko - Talvez a principal cepa grega, e Rótulos da Enotéca Emery, de Rhodes).
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Saturday, March 08, 2008

A uva branca Torrontés!

Dia desses fiz uma matéria sobre vinhos brancos, publicada neste meu website e no Portal www.amazonview.com.br (da revista “AmazonView”), no qual tenho uma página denominada “Mundo dos Vinhos”, onde escrevo sobre a bebida no começo de cada quinzena. Na aludida matéria, intitulada “O vinho branco de todas as estações do ano!”, procurei incentivar aqueles que ainda relutam em apreciar adequadamente esse tipo de vinho, os quais, a exemplo dos bons Espumantes, são ideais para o clima da nossa região e para o restante do território brasileiro durante o verão. Tem muita gente que ainda acha que apenas os tintos são vinhos realmente ideais para se beber. Ledo engano... Quem não aprecia vinhos brancos não conhece nada sobre essa medieval e saudável bebida!
Na referida matéria, voltada mais para os bons vinhos brancos alemães, citei também aqueles produzidos na Serra Gaúcha (Vale dos Vinhedos), principalmente os nossos excelentes Espumantes. Um dos leitores dessa minha página, aproveitando a dica, pediu que eu falasse sobre a uva Torrontés, ainda bastante desconhecida entre nós, mas que produz vinhos brancos charmosos, frutados e florais em terras argentinas.
Pois bem, vamos falar e conhecer um pouco dessa casta que, ao contrário do que muitos afirmam, não é originária da Galícia (Espanha), mas sim resultado do cruzamento da casta “Criolla Chica” com a “Moscatel de Alejandria”, sendo, portanto, uma uva autóctone, ou seja, originária da Argentina.
O adjetivo "terrantês", em desuso no português atual, significa "originário de certa terra ou povoado". Por exemplo: Queijo terrantês, vinho terrantês, jarro terrantês... Na Península Ibérica essa palavra denomina também uma variedade de uva branca, tendo sido adotadas diversas grafias para seu nome, conforme o dialeto local. Na Galícia, por exemplo, essa casta tem presença em Ribeiro de Avia, onde ela é a Tarrantés.
Denomina-se Terrantês no Condado de Salvaterra e tem o nome reconhecido internacionalmente de Torrantés em Montealegre.
Portugal adotou a grafia Terrantez e com esse nome ela aparece no nordeste do país (em Trás-os-Montes), na Região Central (no Ribatejo) e no arquipélago dos Açores, particularmente na Ilha da Graciosa, onde origina um dos vinhos brancos da Cooperativa de Santa Cruz. Consta que, no passado, ela tenha sido cultivada na Ilha da Madeira. Trata-se de uma uva branca transparente, de bagos pequenos com casca fina e delicada. Dela se elabora um vinho seco, claro, muito aromático, frutado, com graduação alcoólica entre 11 e 12,5 graus e que se pode conservar por algum tempo.
O renome atual da Torrontés vem de sua surpreendente aclimatação nas províncias argentinas de Salta (Valle Cafayate) e La Rioja, (Valle de Chilecito) em altitudes acima de 1000 metros, aonde chegou trazida da Espanha, embora restando provado que se trata de uma uva originaria da própria Argentina, consoante recente pesquisa de DNA desenvolvida pela University of Califórnia-Davis, que definiu a sua origem exata.
A Torrontés é a variedade de uva branca mais distintiva da Argentina. Produz um vinho branco frutado e elegante, com refrescante acidez. Um grande atrativo para os jovens apreciadores de vinho branco, justamente pelo seu caráter frutado e floral.
O vinho da Torrontés é hoje considerado o mais típico entre os brancos argentinos. Que o digam a Bodega La Rosa, de Michel Torino, a Bodega Etchart, de Arnaldo Etchart e Pernod Ricard, e a Bodega Família Zuccardi, onde essa casta é também usada no vinho branco doce “Santa Júlia Torrontés Tardio”.
Eu, particularmente, gosto muito dos vinhos elaborados com essa casta, principalmente o “Torrontés Etchart Privado“, da Bodega Etchart e o “Colomé Estate Torrontés”, da Bodega Finca Colomé... São ótimos e de preços bem acessíveis!... Bons goles!

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Monday, February 18, 2008

Bourgogne, lugar de vinhos maravilhosos, elegantes, complexos e únicos!
Não sem razão, é a região onde mais gosto de estar quando vou a França, a última delas durante um bom período em 2007.
Com sua personalidade diferente e cheia de classe, os Bourgognes podem ser considerados uma espécie de “pós-graduação” para os apreciadores de grandes vinhos. Seus tintos e brancos são cheios de sutilezas e nuances inimitáveis! O sistema de denominações é realmente bastante complexo, em virtude do terroir privilegiado, e pode ser difícil se encontrar entre tantos nomes diferentes. Desculpem-me os leigos, mas descobrir os vinhos da Bourgogne é uma das melhores e mais gratificantes aventuras possíveis a um apreciador de bons vinhos, mas tome cuidado! Uma vez que você se apaixone pela Bourgogne, não há mais volta... E como as recompensas são muitas, não é nada difícil se apaixonar!
O que se pode esperar de um Bourgogne?
A marca registrada dos melhores Bourgognes tintos é sua incomparável classe, elegância e complexidade. São vinhos de conhecedores, cheios de sutilezas e sempre com grande finesse. Eles são elaborados com a casta Pinot Noir e expressam maravilhosamente o privilegiado terroir da Bourgogne - região onde vinhos de vinhedos a poucos metros de distância podem ter personalidades muito diferentes. Em geral, os bons Bourgognes apresentam riqueza e complexidade impressionante no aroma, que evolui bastante com o tempo. Na boca, são finos, macios e elegantes, bem proporcionados, mais delicados do que os tintos de Bordeaux ou do Novo Mundo. São vinhos únicos e insubstituíveis, sem paralelos ao redor do mundo, e que realmente vale a pena conhecer. Ao degustar um Bourgogne, busque mais por elegância, sutileza e complexidade do que por potência e concentração.
Os Bourgognes brancos, por sua vez, são simplesmente fantásticos. Para muitos, são os melhores do mundo. A uva Chardonnay atinge na região seu ponto máximo em elegância, complexidade e longevidade. Mesmo os Bourgognes mais simples, tanto tintos quanto brancos, podem ser muito charmosos e interessantes, de bastante personalidade.
Sistema de denominações da Bourgogne - O conceito do "Terroir"!
Na Bourgogne, o sistema de denominações é amplamente baseado no conceito de “terroir”. Elas se dividem em denominações Regionais, Distritais, Comunais, Premiers Crus e Grands Crus. As Regionais se referem a vinhos de uvas produzidas em todo o território da Bourgogne, a exemplo dos Bourgogne rouge e Bourgogne blanc, que trazem apenas o termo “Bourgogne” no rótulo. As Distritais se referem a vinhos de subdistritos definidos, como Chablis, Côte de Beaune, Mâcon etc. Em geral, eles levam no rótulo o nome do subdistrito em questão.
As Comunais se referem a vinhos de comunas ou vilas específicas, como Gevrey-Chambertin, Morey-Saint-Denis, Meursault, Vosne-Romanée etc. Eles levam no rótulo o nome da comuna em que são produzidos. Muitas vezes o vinhedo é mencionado no rótulo. As denominações Premiers Crus se referem a alguns locais - ou “climats”, como os franceses às vezes os chamam - que, por sua grande qualidade, foram classificados como “Premiers Crus”. Neste caso, o nome do vinhedo também aparece no rótulo, juntamente com o nome da comuna e do termo “Premier Cru”. É o caso, por exemplo, do “Nuits Saint Georges Clos de la Marechale Premier Cru”. As denominações Grands Crus são reservadas a alguns vinhedos excepcionais, de grande reputação. É a mais alta categoria no sistema de classificação da Bourgogne. No rótulo, levam o nome do vinhedo e o termo “Grand Cru”. Alguns exemplos: Clos de Vougeot, Mazis Chambertin, Charmes Chambertin, Corton Charlemagne etc. Quanto mais se sobe neste sistema de classificação, mais o local definido no rótulo vai ficando específico e - espera-se - maior é a qualidade dos vinhos. É óbvio que, mesmo dentre as diversas denominações, existem produtores muito melhores que outros. Na Bourgogne isto é especialmente importante.
As regiões da Bourgogne
CHABLIS
Os vinhos de Chablis estão entre os melhores e mais famosos brancos do mundo! Como todos os bons Bourgogne brancos, eles são elaborados com a uva Chardonnay. No entanto, trata-se de vinhos únicos, de grande personalidade, que não encontram paralelo em nenhuma outra região do mundo, nem mesmo nas outras áreas da própria Bourgogne. Isto se explica pelo clima bastante frio e pelo terroir da região, que lhe conferem um toque bastante austero e mineral, com uma acidez marcante, em contraponto à riqueza e untuosidade dos grandes brancos da Côte d’Or, mais ao sul. Chablis é o vinhedo mais setentrional da Bourgogne. Enquanto os Chablis de apelações comunais (aqueles que só trazem o nome Chablis no rótulo, sem mencionar o vinhedo) já podem ser muito bons, se forem de bons produtores, os Premiers Crus e Grands Crus estão entre os melhores brancos da França. São vinhos de grande longevidade, que às vezes levam 10 anos ou 15 anos para atingir seu apogeu. Alguns dos melhores Grands Crus vêm dos vinhedos de Vaudésir e Le Clos, enquanto muitos Premiers Crus também são excelentes (experimente o Chablis Montmains Premier Cru, do Joseph Drouhin, por exemplo!). Os Chablis mais simples de bons produtores podem ser ótimos. O Chablis normal do Drouhin já é uma delícia, uma combinação perfeita para ostras, mariscos e frutos do mar!
CÔTE D’OR
A Côte d’Or é o coração da Bourgogne, de onde saem a maioria dos mais reputados e melhores vinhos da região. Ela está dividida em Côtes de Nuits - mais ao norte, ao redor da cidade de Nuits-St-Georges (ao sul de Dijon) - e Côtes de Beaune - mais a sul, ao redor da cidade de Beaune. Uma das mais prestigiosas regiões de vinhos do mundo, a Côte d’Or produz vinhos tintos e brancos maravilhosos, entre os melhores que existem, e cada um com sua personalidade própria. Explorar toda a riqueza e complexidade deste verdadeiro “mosaico bourguignon” talvez seja uma das maiores e mais deliciosas aventuras para o apreciador de vinhos!
CÔTE DE NUITS
De maneira geral, as Côtes de Nuits são mais reputadas por seus grandes tintos, incluindo diversos famosos Premier Cru e Grand Cru. Entre as denominações mais reputadas estão a própria Nuits-St-Georges, Vosne-Romanée, Chambolle-Musigny, Vougeot, Morey-St-Denis e Gevrey-Chambertin, além de Grands Crus como Clos de Vougeot, Musigny, Chambertin, Échezeaux e muitos outros de grande prestigio. As principais comunas são: Fixin, Gevrey-Chambertin, Morey-St-Denis, Chambolle-Musigny, Vougeot, Vosne-Romanée e Nuits-St-Georges. Com a exceção de Corton, que fica na Côte de Beaune, todos os Grand Crus tintos estão na Côte de Nuits.
CÔTE DE BEAUNE
As Côtes de Beaune, po sua vez, são reputadas por seus grandes brancos, como os famosos Puligny-Montrachet, Meursault, Chassagne-Montrachet, Aloxe Corton, assim como os Grands Crus de Montrachet, os Corton Charlemagne e outros. Todos os Grand Crus brancos da Bourgogne, com exceção do Musigny, estão na Côte de Beaune. Também há vinhos tintos excelentes na Côtes de Beaune, como os Pommard, Volnay, Aloxe-Corton, e especialmente o fabuloso Grand Cru Corton - em geral mais delicados do que os da Côte de Nuits, e sempre muito perfumados e elegantes.
CÔTE CHALONNAISE
A Côte Chalonnaise produz alguns vinhos muito saborosos, mais acessíveis do que os grandes vinhos da Côte d’Or, mas que podem ser verdadeiros achados. É o caso dos Mercurey, a mais reputada denominação desta sub-região, com seus tintos ricos e saborosos, com toda a personalidade da Pinot Noir, a exemplo do Mercurey Croix Jacquelet. Outras denominações de importância são Rully, Givry e Montagny. A Côte Chalonnaise está ao sul da Côte d’Or e a norte do Mâconnais.
MÂCONNAIS
Ao sul da Côte Chalonnaise e a norte de Beaujolais está a região do Mâconnais, que circunda a cidade de Mâcon e produz alguns bons tintos e, principalmente, brancos da Bourgogne. São vinhos com pretensões mais humildes do que os grandes da Côte d’Or, obviamente, mas também podem ser ótimos achados, de excelente relação qualidade/preço e bastante personalidade. Entre os brancos, os mais reputados são St-Véran, Mâcon-Villages, Mâcon-Supérieur e o famoso Poully-Fuissé.
BEAUJOLAIS
Ao sul da Bourgogne, Beuajolais produz alguns tintos bastante saborosos, de leveza e frescor, perfeitos para acompanhar frios e salsichão, por exemplo. Os melhores são os das comunas de Moulin à Vent, Fleurie e Saint Amour. Os Beaujolais-Villages são elaborados apenas com uvas de comunas classificadas como de melhor qualidade, e costumam ser melhores do que os apenas classificados como “Beaujolais”. Alguns produtores, como Joseph Drouhin e Gerard Gelin (Domaine des Nugues) fazem Beaujolais de ótima qualidade, que nada têm a ver com os piores e mais comerciais exemplares da denominação, que costumavam chegar ao Brasil, principalmente como “Beaujolais Nouveau”.
Mesmo os “Beaujolais Nouveau” podem ser bastante bons e agradáveis, quando elaborados por um bom produtor. Os Beaujolais em geral são vinhos com um estilo alegre e descompromissado, que podem agradar bastante e continuam a ser um dos mais consumidos e apreciados na França para ocasiões informais ou acompanhando petiscos diversos. São tintos bastante gostosos, que não merecem o preconceito criado no Brasil pelos piores Beaujolais Nouveau que aqui chegavam tempos atrás.
Bons goles!
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